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BNDES poderá antecipar R$ 20 bilhões à Petrobras

Até agora, acreditava-se que esse segundo empréstimo stand-by poderia não ser necessário

A Petrobras pode usar a linha de crédito de R$ 20 bilhões reservada no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) caso o Congresso não vote até abril o projeto de lei que prevê a cessão onerosa de 5 bilhões de barris de petróleo e gás à companhia e sua subsequente capitalização. O banco emprestou R$ 25 bilhões à estatal em 2009 e colocou à disposição outros R$ 20 bilhões. Até agora, acreditava-se que esse segundo empréstimo stand-by poderia não ser necessário, uma vez que a Petrobras ficará com um caixa robusto depois da capitalização prevista no projeto de lei. Segundo projeção do banco Credit Suisse, o valor pode chegar a US$ 50 bilhões.

A estatal tem sido cuidadosa ao afirmar que a capitalização é importante no longo prazo porque melhora a estrutura de capital, mas não é urgente e nem atrasaria investimentos. Contudo, a divulgação do plano estratégico para o período 2010/14 ainda não tem data, uma vez que a companhia não sabe com que recursos poderá contar. O projeto de lei deve ser colocado em votação na Câmara dias 2 e 3 de março.

O diretor-financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, diz que o plano atual, que prevê investimentos de US$ 174,4 bilhões de 2009 a 2013, foi feito considerando o petróleo a US$ 40 por barril (hoje, está na faixa dos US$ 70), e apenas 20% foram executados. Como o plano só considera investimentos de US$ 29 bilhões no pré-sal, isso pode significar um tempo mais longo para o desenvolvimento da produção nos campos já descobertos. Outros negócios, como a aquisição dos 33,34% detidos pela Eni na petroleira Galp, também poderão atrasar.

Barbassa afirma que, em termos de financiamento, a Petrobras está "em uma situação melhor" do que previa no ano passado, quando captou mais de US$ 34 bilhões. Hoje, ela já tem US$ 10 bilhões disponíveis. "Isso nos deixa com o caixa bastante tranquilo quanto à execução do nosso plano, como foi anunciado e tem sido executado", afirma.

As dúvidas relacionadas à capitalização da Petrobras explicam, em parte, o fraco desempenho de suas ações, segundo avaliação do Credit Suisse. Na comparação com o Amex Oil Index, que reúne os papéis de companhias de petróleo, elas ficaram 14% abaixo nos últimos três meses.

 

Fonte : Valor Econômico

Cláudia Schüffner, do Rio
18/02/2010