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21out / 2014

A inovação, indispensável para a indústria brasileira

17 de outubro de 2014

Mais do que participação no Produto Interno Bruto (PIB), a indústria brasileira vem perdendo a corrida da inovação tecnológica. Reverter essa situação, para recuperar posições e conquistar um lugar melhor nas cadeias globais de valor, depende de pesados investimentos na criação e na produção de bens tecnologicamente avançados.

O Brasil investe apenas 1,2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, metade do que investem os países-membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), afirmou o professor Jorge Arbache, da Universidade de Brasília, no estudo O Brasil e a Importância da Indústria Intensiva no Conhecimento, citado pelo jornal Valor. Em 2012, o Brasil depositou apenas 1,8 mil pedidos de patente, enquanto a Índia depositou 6,8 mil e a China, 400 mil pedidos.

Por investir pouco em inovação, o País tem assegurado participação nas cadeias de valor pelo fornecimento de matérias-primas, na proporção de 60%; já nos bens industriais de alta tecnologia, a participação brasileira se limita a 5%.

Não há obstáculo intransponível à melhora da posição brasileira, pois o País tem indústrias intensivas em conhecimento, como farmacêutica, telecomunicações, coque, petróleo e derivados, equipamentos de transporte e veículos automotores. Além de exportar soja ou café, o Brasil deveria investir na comercialização de óleo de soja e de café solúvel. Mas, “por razões políticas, de ambiente de negócios, falta de ambição e até mesmo questões culturais, nós não fazemos isso”, diz Arbache.

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Investimentos em inovação ajudariam a elevar a produtividade do trabalhador, que entre 1980 e 2013 cresceu apenas 6% no País, ante 69% nos Estados Unidos, 211% na Índia, 298% na Coreia do Sul e 895% na China. Indústrias intensivas em conhecimento contribuem para elevar o salário e assegurar mais produtividade e mais conexão com a indústria mundial. Esse é um alerta importante, quando se fala mais intensamente em desindustrialização.

Entre 1991 e 2011, a expansão média da indústria brasileira foi de apenas 2,2%, ante a média de 12,2% em 13 países selecionados, dos quais 11 emergentes. Entre 1985 e 2012, o peso da indústria de transformação no PIB caiu de 27,2% para 11%.

A prioridade para a inovação foi proposta pela Associação Brasileira da Propriedade Intelectual aos candidatos que disputam o segundo turno da eleição presidencial. É a saída possível, embora com resultados no médio e no longo prazos.

Fonte: O Estado de S. Paulo 

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